Aplicações militares da tecnologia de 5G nos Estados Unidos

Estes sistemas de defesa incluem a defesa aérea, mísseis e controle de armas, em campos de batalhas, controle de tráfego aéreo e segurança

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Ericson Scorsim. Advogado e Consultor em Direito da Comunicação. Doutor em Direito pela USP. Autor da Coleção de Livro sobre Direito da Comunicação.

 

O Departamento de Defesa divulgou diretrizes para aplicações militares de tecnologia de 5G.[1] Assim, a faixa de frequências de 3450-3550 MHz para operações de radares fixos, móveis, em plataformas em navios e aviões.

Estes sistemas de defesa incluem a defesa aérea, mísseis e controle de armas, em campos de batalhas, controle de tráfego aéreo e segurança. Foram adicionados mais 100 (cem) MHZ, assim o governo norte-americano possui uma faixa de 530 mega-hertz na faixa média de frequência 3450-3980 Mhz para ampliar sua capacidade nas redes de 5G.

O Departamento de Defesa anunciou investimentos em redes de 5G em bases militares. Foram selecionadas bases militares  em acesso ao espectro de frequências, fibras óticas e infraestrutura de rede sem fio. Além disto, uma das bases denominada Lewis-McChord em Washington recebeu investimentos em aplicações de realidade aumentada e treinamento militar por realidade virtual em 5G. Como participantes deste projeto para o governo norte-americano as empresas: GBL System Corp. (GBL), AT&T, Oceus Networks, Booz-Allen Hamilton.

O objetivo destas aplicações de 5G é servir ao treinamento militar.  Na base naval de San Diego, na Califórnia, há testes de aplicações de 5G em operações navais de logística relacionada ao transporte de material e equipamentos entre navios e a base naval. Neste projeto há a cooperação das seguintes empresas: AT&T (montagem da rede de 4G e 5G), GE Research (modelos de rastreamento e análise), Vectrus Mission Solutions Corporation (Vectrus, gestão de estoques, segurança das redes, robótica para movimento de cargas e sensores ambientais), Deloitte Consulting LLP (Deloitte, aplicações de robôs, sistemas de veículos aéreos autônomos e drones, biometria, câmeras, realidade virtual e realidade aumentada, controle de estoques). Em outra base naval, Marine Corps Logistics Base em Albany, na Georgia, há projetos de 5G de controle de estoque de veículos.

As empresas que participam deste programa: Federated Wirelles (oferece padrões e soluções abertas para testes indoor e outdoor para equipamentos de 5G), GE research (provimento de solluções para rastreamento em tempo real, modelagem e análise de previsões), KPMG LLP (aplicações automatizadas e digitalização de processo para o movimento de produtos), Scientific Research Corporation (SRC – oferece soluções de 5G de gestão automatizada e controle logístico de ativos e rastreamento de ativos, gestão ambiental e controle de entrada). Na base aérea Nellis, em Nevada, há projetos de 5G de comando e controle aéreo, espacial e ciberespacial. O objetivo é atualizar a arquitetura de comando e controle em situações de combate. Como parceira do governo a AT&T que fornecerá o ambiente de 5G e o suporte à conectividade às operações da base aérea. Na base aérea Hill, em Utah, há projetos de utilização dinâmica espectro, os quais permitirão a capacitação dos radares da Força Aérea, para compartilhar dinamicamente o espectro dos serviços móveis de 5G, na faixa de frequências 3.1 a 3,45 GHz.

As empresas parceiras do Departamento de Defesa neste projeto são: Nokia (testes com padrões abertos, inclusive  com sistemas de antenas), General Dynamics Mission Systems (GDMS – coexistência de aplicações que incluem o rastreamento de sinais de radares para suporte ao acesso à redes de radiofrequência), Booz Allen Hamilton (BAH – utiliza inteligência artificial para permitir a coexistência de sistemas com rápida resposta a interferência), Key Bridge Wireless (adaptações ao espectro comercial de frequências na faixa de 3.1 a 3,45 GHz com o controle de risco de interferências), Shared Spectrum Company (SSC – preservação das comunicações por 5G, através de detecção de radares e capacitação ao acesso dinâmico do espectro de frequências, Ericsson (adaptação da infraestrutura de 5G para prover serviços de aprendizagem por máquina – machine learning – para fins de capacitação de 5G e agregação de espectro de frequências.

Nas palavras do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a tecnologia de comunicações de 5G é fundamental para os programas de modernização da defesa norte-americana e é essencial para segurança nacional e segurança econômica dos Estados Unidos. Assim, o Departamento de Defesa está focado na experimentação e prototipagem quanto à utilização da tecnologia de 5G de dual-use, para fornecer alta velocidade e respostas rápidas, conectando dispositivos sem fio das forças militares.

Em síntese, a contratação pelo Departamento de Defesa de empresas privadas servem à diversos objetivos: garantia de conectividade em tecnologia de 5G às bases militares e, assim, a instalação de redes privativas de comunicações nas bases militares, integração entre os sistemas de radares à tecnologia de 5G,  sistemas de comando e controle das comunicações, controle do risco de interferência de frequências, compartilhamento dinâmico de frequências dos radares e a tecnologia de 5G móvel, utilização de inteligência artificial na gestão das frequência, aplicação de aprendizagem por máquina na coexistência da tecnologia dual-use 5G, controle de ativos militares por tecnologia, controle logístico no transporte de equipamentos e armamentos militares treinamentos militares com realidade aumentada e realidade virtual em 5G, entre outras aplicações.

Como se observa, o setor de defesa dos Estados Unidos mantém programas de modernização de suas forças armadas, a partir de participação do setor privado. A tecnologia de 5G é pura inovação, razão para a participação privada na atualização do setor de defesa.

[1] US, Department of Defense: Honorable Dana Deasy, Department of Defense Chief Information Officer: issued the following statement.

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